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Carta ao torcedor gremista: biometria

Torcedor Gremista!
Discriminação  significa distinguir ou diferenciar. A discriminação acontece quando há tratamento desigual perante uma característica específica e que não tem justificativa racional que não seja segregar determinado grupo de pessoas.
O Grêmio Multicampeão é um movimento político do Clube que preza pela igualdade, não apenas nas questões do Futebol, mas em relação à vida como um todo.
A nossa Constituição, em seu art. 5, caput, diz: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade..”
A respeito da exigência de Identificação biométrica na Arquibancada Norte da Arena do Grêmio, não podemos deixar de considerar que o tratamento DIFERENTE dos demais setores do estádio, leva, sim, à conclusão de que há discriminação nesta matéria. Nenhum debate houve nas instâncias deliberativas do Clube a este respeito.
Existem princípios e valores que deveriam ser inegociáveis. A igualdade entre os torcedores do Grêmio precisa ser um desses princípios, um desses valores. Logo, não conseguimos imaginar quais contrapartidas são suficientes para justificar essa quebra da isonomia. É, no mínimo, estranho que justo no setor popular do estádio, exija-se esse discrímen. É, para dizer o menos,  a institucionalização dos preconceitos que envolvem as torcidas organizadas do Clube, aceitar tal situação. Faz parte do problema e não da sua solução acatar os preconceitos contra as organizadas do Grêmio.
Por outro lado, a justificativa para tal discriminação é, em nosso entender, simplesmente falsa. Ou insuficiente para justificar o tratamento discriminatório. Ocorre que a biometria não facilitará a Identificação de eventuais torcedores “baderneiros” dado que o Centro de Operações da Arena possui centenas de câmeras e está plenamente apto para tal tarefa sem qualquer biometria em
Setor específico do estádio. Ademais, ficamos a pensar: é só na Arquibancada Norte que existe este risco?
Por fim, em não existindo esta exigência em todos os estádios do Rio Grande do Sul, é evidente o intuito de diferenciar uma parte específica da torcida. Temos em torno de 5500 lugares na Arquibancada Norte. Apenas metade são sócios com acesso garantido. Os demais são para sócios torcedores ou vendidos na bilheteria ao público em geral. Perto de 2800 torcedores, portanto, estariam submetidos ao tratamento desigual.
O Grêmio Multicampeão é contra o apartheid dentro da Arena. Entende injustificável que apenas um grupo de cerca de 2800 torcedores seja marcado como “baderneiro”. Marcado pela infâmia preconceituosa.
Houve um período na História que um determinado grupo de pessoas era marcado na pele para fixar sua diferença dos demais. As marcas são diferentes, mas a origem, desconfiamos, é a mesma.
Uma atitude discriminatória resulta na destruição ou comprometimento dos direitos fundamentais do ser humano. E, por mais que alguns não queiram, os torcedores populares da Arquibancada Norte têm, sim, a mesma dignidade dos demais e não precisam torcer numa espécie de gueto em pleno século XXI.