Projeto muda conceitos na categoria de base, e Grêmio já colhe frutos

‘Lapidar’ e ‘Transição’ miram, respectivamente, corrigir vícios e estimular virtudes além de adaptar os jovens à categoria profissional do clube
É claro que a qualidade individual explica, mas conhecer o trabalho desenvolvido nas categorias de base do Grêmio ajuda a entender o sucesso de jovens como Ramiro, Guilherme e Matheus Biteco. Implantados no final do primeiro trimestre, os projetos ‘Lapidar’ e ‘Transição’ miram, respectivamente, corrigir vícios e estimular virtudes além de adaptar os jovens à categoria profissional. Aliado à decisão institucional de testá-los contra times de idade superior, pronto: a surpreendente a naturalidade com a qual esta trinca ajuda na boa fase da equipe de Renato Gaúcho é perfeitamente normal.

Tudo começa com uma troca de conceito. Deixe de lado o nome ‘categorias de base’. No Tricolor, agora, é Departamento de Formação. Simples semântica? Não. A razão de existir do setor é formar jogadores. A meta: sempre ter 1/3 deles no grupo profissional – hoje são dez de 29. Os resultados são deixados em segundo plano.

– É algo sério. Por exemplo: se a categoria X tiver um Gre-Nal decisivo e, naquela semana, o Renato solicitar três jogadores titulares para o banco do profissional, não há dúvida: os cederemos. É a certeza da correção do trabalho – explica Junior Chávare, coordenador geral do departamento.

Outra mudança: o clube passou a captar mais jogadores. Chávare, com a experiência de ter sido olheiro do Juventus na América do Sul, tem 13 colaboradores espalhados pelo Brasil. O clube monitora 3 mil jovens dos quais 300 de forma mensal. Foi assim que Ramiro veio de Juventude, Uendel, do Londrina e Jean Deretti, do Figueirense. Todos estão no profissional, mas passaram um tempo em preparação.

O ‘Lapidar’ consiste em, após cada treinamento, treinar situações específicas de jogo: chute rasteiro, chute alto, em curva, cabeceio para cima, cabeceio para baixo, domínio de bola, passe, lançamento, enfim. Cinco profissionais orientam e filmam. As imagens são enviadas à Central de Dados Digitais para análise. Eventuais erros são identificados e corrigidos na próxima sessão de trabalho. Do sub-12 ao sub-20. Exemplo adaptado de clubes como Juventus, Barcelona e Real Madrid.

– Dobramos a média de gol em dois meses de projeto – completa Chávare.

O ‘Transição’ foca em adaptar o jovem ao profissional. Ele vai, passa uma semana treinando, volta à base. E repete a ida e vinda até ser efetivado.

– Ele sabe exatamente o que está sendo feito, o motivo e quando irá ser efetivado – conclui o diretor.

E sabe mesmo. Até porque todas as categorias atuam da mesma forma: no 4-3-3 e suas variações. Os dados individuais são coletados e avaliados a cada trimestre. E prima pela qualidade.

– Quebramos o paradigma de que um baixinho não teria sucesso. Ramiro está aí – completa.

O profissionalismo das ideias é tanta que está em elaboração um Manual de Normas do departamento. A ideia é apresentá-lo ao Conselho Deliberativo e, em caso de aprovação, tornar as diretrizes implantadas regras. Assim, mesmo com a eventual troca de direção, o trabalho terá continuidade.

Para o próximo ano, ao menos, há a garantir. São sete os jovens com condições de subir. Alguém duvida?

Veja AQUI a matéria no site Globoesporte.com e AQUI a matéria no site Jus Brasil.

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